Blog do Hélio, pode ler à vontade, mas tem muita coisa misturada, já aviso.
14/05/2012 - 18:24:35
Agridoce
Eu gosto de algumas músicas da Pitty, não mudo a estação quando toca na rádio ou no canal da televisão, ouço, acho bacaninha, canto junto o refrão – a única parte que sei inteira. Mas eu não gostava de certa postura muito rocker que ela tinha, e que o mercado fonográfico lhe exigia. Era um pouco exagerada demais, bem pra adolescente mesmo.
Mas como todo artista esperto que quer sobreviver hoje em dia em meio a esse turbilhão que é o mercado fonográfico (ainda se usa esse nome?), Pitty lançou um projeto paralelo com uma sonoridade diferente: Agridoce vem com uma levada mais leve, mais cheia de melodia e muito mais limpa.
Vi a cantora dizendo na MTV que o disco foi gravado em um estúdio/casa onde toda hora alguém pegava os instrumentos – sempre plugados e gravando - e começava a brincar. Eu acredito que a música é dionisíaca, totalmente fruto da inspiração, por isso gostei do resultado da empreitada da Pitty.
Menos pose de autoafirmação, menos problemas adolescentes, menos ranço emo e muito mais harmonia, canção mesmo. Olha só:
Escrito por Hélio Filho às 18:24:35
08/05/2012 - 12:07:21
Frio para muitos
Quem sou eu para achar que as pessoas não sabem que quando seres humanos se agrupam eles são capazes de se aquecer. As vacas são assim também, no Inverno elas caminham todas para o mesmo local do pasto ao entardecer para dormirem juntas e, assim, garantir seu aquecimento para a noite. A gente também é bicho de sangue quente, é capaz de aquecer o outro.
Hoje em dia falar em aquecer o outro é lembrar-se das várias e muito importantes campanhas de arrecadação de agasalhos e cobertores. Mas é também não deixar ninguém esquecer que um abraço também esquenta, além de trazer conforto e sensação de que se é querido. Há quanto tempo ninguém te abraça forte o bastante e quente o suficiente para você se sentir bem, se sentir realmente abraçado?
E vale abraço de amigo, de amiga, de parentes, de namorado (o melhor de todos) ou até em casos extremos um abraço coletivo para fugir do frio, andar pela rua de bando unido pelos braços se esquentando, aquecendo o sangue do outro, tendo contato com ele. Não que você tenha que sair por aí desejando encontrar alguém querido com frio para dar um abraço, mas é bom demais quando a Natureza se encarrega de refrescar o ar e pega gente desprevenida na rua, te deixando mais do que responsável por aquecer o próximo com um abraço.
Escrito por Hélio Filho às 12:07:21
03/05/2012 - 13:33:23
Amor é síntese
Amor é síntese
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
Escrito por Hélio Filho às 13:33:23
30/04/2012 - 14:02:41
Contra as nuvens
Chove em São Paulo já há uns três dias. Já que não tem como parar a chuva, sempre dá para colocar trilha sonora nos pingos.
Escrito por Hélio Filho às 14:02:41
26/04/2012 - 18:37:14
O tempo da amizade
Tipo comadres!
Estava eu assistindo minha amiga Angélica (sempre preferi ela à Xuxa na infância) e seu programa “Estrelas” quando me deparo com as atrizes Julia Lemmertz e Ana Beatriz Nogueira rasgando quilômetros intermináveis de seda sobre sua amizade de 22 anos. Parei para ver porque a Julia disse uma coisa com a qual eu sempre concordei, mas nunca tinha ouvido ninguém falar até então.
Ela dizia que o amigo verdadeiro, caso dela e da Ana Beatriz, é aquela pessoa que você pode passar tempos sem falar, mas quando encontrar ou ligar será como se o tempo não tivesse passado. Eu tenho amigos assim, a gente não se fala sempre por causa da correria cada vez maior do dia a dia, mas quando nos falamos é como se nada tivesse mudado.
Nesse ínterim muitas coisas acontecem com você e com ele, seu amigo pode muitas vezes nem saber o que aconteceu, não te ajudou e nem se preocupou – e vice-versa. Mas isso não importa, a gente sabe que nem sempre dá para dividir o problema com aquele amigo e nem sempre ele consegue dividir com a gente. Acaba lançando mão de um amigo que está mais perto, mas não necessariamente é mais próximo.
Ser amigo é saber entender que isso acontece em ambos os lados e não muda em nada a amizade. Até porque quando estamos em dificuldade sempre lembramos (pelo menos eu) dos amigos fieis, leais e queridos. Eles estão ali a todo o momento porque de certa maneira me ajudaram a ser quem sou, me ensinaram a lidar com os problemas.
Alguns amigos (não cito nomes porque tenho muitos amigos leoninos que se sentiriam excluídos por um possível lapso de memória) eu posso dizer que ajudaram a formar até mesmo meu caráter, graças a Deus ainda em formação com muita informação. De alguns eu peguei o senso apurado de direitos humanos, de outros a sabedoria para segurar o sentimento nas horas necessárias e agir sem coração algum.
Alguns outros me ensinaram que nem tudo pode ser tão ruim quanto parece. Mas todos eles, e isso é o mais importante, me fizeram sentir que eu sou capaz de enfrentar as situações, me fizeram enxergar que tenho força para encarar as dificuldades. Esses são aqueles amigos que gritam quando você fica choramingando no sofá mandando você tomar uma atitude. Xingam se for preciso, jogam na cara várias coisas, tudo para te ajudar.
Julia Lemmertz tem razão quando diz que o tempo não apaga nem diminui uma amizade. Se ela for verdadeira, ou seja, se for amizade mesmo, não apenas interesse, ela dura tanto que morre com a gente – e espero eu que nos acompanhe para o céu ou para outro lugar que a gente vai depois de cumprir nosso expediente terreno.
Escrito por Hélio Filho às 18:37:14
25/04/2012 - 12:23:07
Gretchen é cool
Vou confessar que achei bacaninha, achei que ornou.
Escrito por Hélio Filho às 12:23:07
24/04/2012 - 17:11:34
Escolha sua carne
É claro que o vídeo abaixo é uma brincadeira sobre “como escolher sua carne”, mas serve como maximização da obsessão que alguns gays têm pela pessoa perfeita, aquela que reúne tudo o que o outro busca (e muitas vezes não tem). Os dentes devem ser assim, o perfume tem que ser tal, não pode ser peludo nem sem pêlo, o cabelo eu gosto com tal corte e a barba eu prefiro assim.
Mas é preciso lembrar que as pessoas são elas, não o que a gente queria que elas fossem. O que é uma delícia porque traz o conflito que gera movimento, que faz a mudança continuar sendo a única constante no mundo. É preciso mudar para se adaptar ao outro como ele é. Se caísse do céu um homem como eu sonhei talvez eu não achasse ruim, mas faltaria o mistério.
Esse mistério, esse ainda por descobrir é aquele 1% que falta para o casal ser plenamente feliz, porque se ele for 100% feliz não tem motivo para acordar e batalhar um dia melhor, como me disse uma vez um casal que há anos vive junto. É claro que a gente tem preferências, é claro que temos um tipo que atrai mais – mas se prender ao homem criado na sua mente é se prender a si, ele não existe, tá?
Escrito por Hélio Filho às 17:11:34
18/04/2012 - 18:12:34
Entendo sim
"Posso brincar de descobrir desenho em nuvens. Posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis."
Escrito por Hélio Filho às 18:12:34
17/04/2012 - 18:43:47
John Fogerty
Qualquer semelhança com o Creedence Clearwater Revival não é mera coincidência, ele é o fundador e ex-líder do grupo. Sozinho também é bem bom.
Escrito por Hélio Filho às 18:43:47
16/04/2012 - 17:31:52
De bunda pra cima
Minha genética me obriga a acordar todos os dias às seis e pouco da manhã e me arrastar até a academia se eu não quiser virar uma bola. Mas é sempre tão complicado ficar animado, eu tento café, chocolate, música bate-cabelo e estava pensando até em fazer promessa pra Nossa Senhora dos Despertos (existe?), mas ele chegou para acabar com os meus “pobremas”, o spinning. Eu tinha um pouco de preconceito com as bicicletas ergométricas, mas depois da minha primeira aula de spinning eu o perdi completamente, ainda bem.
Eu nunca animava quando minha colega de academia de 60 e poucos anos (a mais animada de todas ever) me chamava pra “fazer bike”. Eu preferia a esteira, ficar dublando enquanto corria. Mas na semana passada deu aquele chamado cinco minutos em mim e eu topei, subi as escadas e meti minha bunda no banco (duro) da bicicleta. Foi a melhor decisão que eu tomei em dois anos e pouco de malhação nesta academia.
É muito melhor do que correr na esteira porque é mais animado. E metade da animação da minha academia se deve a essa minha colega sessentona (prometo um post só sobre ela, vale). Então eu fui atrás da animação (dela) e me dei bem. É mais animado porque tem um monte de gente fazendo junto, então além da professora ficar gritando às sete da matina “vai, levanta essa bunda”, “pedala o brigadeiro” e “acelera o Big Mac”, tem também os e as colegas gritando, animando, rindo.
Meninos são poucos, eu, o filho da sessentona animada, um japonês cinquentão que nunca acerta meu nome e me chama de Wesley e mais um mocinho bonitinho que me deu mais vontade ainda de pedalar (mas infelizmente só foi uma vez). Todo mundo começando o dia já de bunda pra cima na bicicleta pedalando para subir uma subida imaginária criada pela professora, com uma consequente descida que eu até hoje não vi, mas isso não importa.
A professora capricha na trilha sonora e não tem dó de jogar um batidão pra gente rebolar pra cá e pra lá em cima da bicicleta. Fico completamente molhado de suor e já tive que ir embora da academia porque não iria conseguir encostar em lugar algum tamanha a umidade do meu corpo. O que eu acho ótimo, vou lá justamente para suar o chocolatinho do fim de semana, o açúcar do meu café do qual eu não abro mão e fazer sair essa nicotina que em meu sangue circula.
São 45 minutos de pedalada sem parar, com pequenos intervalos para respirar e alongar. De resto, bunda pra cima virada pra janela que dá pra rua (imagino a visão de quem passa) e ânimo pra subir a montanha que a professora inventa na hora da cabeça dela. Recomendadíssimo!
Escrito por Hélio Filho às 17:31:52
13/04/2012 - 18:28:49
A gente escolheu
A paciência é uma virtude
Hoje pela manhã eu ouvi de uma fonte que “vocês têm bastante paciência, hein?”. Vocês, no caso, somos nós jornalistas, que dependemos muito de outras pessoas para fazermos nosso trabalho – principalmente das fontes. Eu respondi: a gente escolheu ter que ser assim. A pauta jornalística é algo definido, mas que necessita de certo espaço para prever adversidades, humanidades, acidentes, contratempos. Nem sempre a pessoa pode falar com você quando você precisa, nem sempre pode tirar a foto, nem sempre pode te dizer tudo.
Então é preciso respeitar isso, e ter a tal da paciência da qual falou a minha fonte de hoje de manhã. Ele não podia ter seu rosto fotografado, então nossa super fotógrafa Larissa Felsen usou sua habilidade para produzir uma foto na contraluz, apenas com a silhueta do entrevistado. Além disso, minha fonte teve um compromisso fora de São Paulo e ficou uma semana longe do alcance de qualquer produção que eu pudesse fazer. O jeito foi esperar.
É claro que a gente sempre insiste para que as coisas corram como planejamos, no dia que precisamos, na hora que precisamos. Eu insisto até o ponto que chega à fronteira da chatice e da inconveniência. Se uma fonte vira pra mim e diz que não quer mais falar eu não posso obrigá-la, ainda mais em casos de matérias com depoimentos bem pessoais como as que fazemos aqui na Junior e na H Magazine.
Tento ser o mais educado possível, simpático, mas também sem deixar a pessoa coordenar meu ritmo de produção da matéria. Mas infelizmente algumas pessoas conseguem travar a pauta com sua indecisão. Você faz um primeiro contato e todo mundo quer falar, topa tirar foto e tudo mais. Na hora H tudo pode mudar e aí todo mundo some porque não quer dar entrevista.
Somos pacientes sim, minha fonte de hoje era um querido de voz mansa e equilibrada que demorou para falar porque realmente não podia antes, estava em um evento importante da entidade que coordena e sobre a qual é a matéria. Mas nem todo mundo não pode falar por um motivo real, tem sim quem dê o truque e “vaze na braquiara” - como a gente diz no Pantanal. Lindamente te dão o balão e não atendem mais telefonemas, ignoram e-mails e nem ligam para recados.
Aí eu não sou paciente mesmo e nem quero ser. Porque eu acho no mínimo falta de respeito com o meu trabalho alguém se comprometer comigo e depois fazer a louca e desaparecer. É falsidade dizer que “claro que quero participar da matéria” quando você sabe de antemão que não pode, não quer, não vai. Não precisa ser simpático, o mais amigo, apenas sincero mesmo. Eu já recebi muitos nãos na minha vida de jornalista, e vou receber muitos outros mais, o que é completamente normal.
Tem gente que não gosta de aparecer, não acha importante dividir sua história com os leitores. Do mesmo modo como sou paciente eu sou compreensivo e entendo o não. Mas o talvez me parece coisa de gente com problemas sérios de ego que precisa ser bajulada, sentir que tem alguém correndo atrás (mesmo que seja algo profissional), ver o telefone tocando com o número aqui da Redação o dia todo e não atender.
Sou paciente, sempre fui. Bobo não.
Escrito por Hélio Filho às 18:28:49
10/04/2012 - 16:33:10
LUV Madonna
Judy Garland disse uma vez sobre si mesma que o artista imitado por trasnformistas fica eternizado na memória da cultura. Alguma dúvida de que Madonna é um desses artistas?
Escrito por Hélio Filho às 16:33:10
05/04/2012 - 11:58:20
Católico apostólico romano
Uma vez ao ano o Papa faz o humilde e repete o gesto de Jesus
Hoje é a Quinta-Feira Santa para alguns católicos mais tradicionais, é feriado tanto quanto a Sexta da paixão. É hoje um dos dias que me fazem lembrar o porquê de ainda continuar sendo católico mesmo não tendo obrigação alguma como família fervorosa ou falta de cultura para escolher outra religião. Somos feitos de corpo e alma, a religião é o bálsamo da alma, e eu escolhi ser cristão, ser católico apostólico romano, como diz minha avó.
É preciso deixar sempre claro que extremismos são sempre perigosos. Não estou dizendo com orgulho que sou católico sem me lembrar de que o meu Papa é contra o meu desejo sexual, é contra o uso da camisinha e diz que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma ameaça à humanidade. Mas a Igreja Católica para mim não é somente o Papa, que eu acredito ser uma figura importante sim dentro do funcionamento do catolicismo, do catolicismo, restrinjo aqui.
Digo que nesta quinta eu me lembro da manutenção do catolicismo em minha alma porque é o dia em que Jesus Cristo lavou os pés de seus apóstolos em uma demonstração, lição e pregação da humildade como algo necessário, vital e muito produtivo. Humildade não é subserviência nem ignorância, é apenas aceitar que você é mais um dentre sete bilhões de seres humanos no mundo e sua importância, acredite, não chega à metade do que você acredita que ela é.
Sou católico porque gosto de Jesus, do exemplo que ele foi de verdade, não de uma imagem inventada através dos séculos a serviço dos homens, dos humanos. Jesus é compaixão, amor (de todas as formas), humildade, responsabilidade, é um salvador não no sentido de ser super poderoso, pelo contrário, ele salva justamente porque te mostra que não existe nada super além da sua capacidade de ser, viver e ter um mundo melhor.
Amai-vos uns aos outros, não julgarás e mais um monte de coisas ditas por ele atravessam dois mil anos de humanidade ainda fazendo todo o sentido porque ainda temos a angústia de viver cravada em nosso espírito, e não há um remédio total, apenas bálsamos como a religião e a filosofia. Duas coisas que eu inclusive gosto de unir para pensar sobre a minha vida. Deixo de lado a parte escrita por interesse dos homens e presto atenção no simbolismo, no exemplo.
Quando eu olho uma Nossa Senhora eu não acredito que aquela imagem de gesso, madeira ou outro material vá me trazer algo de concreto. Quando eu olho as duas santas que tenho em casa eu me lembro da ternura, do afeto, do carinho, do amor e da leveza das mães, do canto doce que não sai da boca, mas vibra do coração. Eu não acho que a santa vai me arrumar um emprego, me fazer rico, mas ela me faz lembrar que minha mãe é linda, amor puro e que ela está pensando em mim o tempo todo.
Gosto desse povo que diz que Jesus foi o primeiro hippie da História, ou o primeiro sem-terra, o primeiro socialista e por aí vai. Porque é isso que eu vejo nele, um homem elevado espiritualmente (e nem estou dizendo de milagres, outra história) que entendeu como poucos a necessidade de se encaixar de certa maneira com as outras pessoas – além da necessidade de se rebelar, criticar, mudar. E esse encaixe é necessário para quem não vive sozinho, um encaixe que vem pelo amor, pela tolerância e principalmente pela consciência de si mesmo.
Hoje é também o dia da Santa Ceia, quando ele reforça a ideia de que reunir seus melhores amigos em torno de uma mesa para comer e beber é um ato simples, humilde e gigantemente feliz. Simplicidade é tudo, né Emanuel?
Escrito por Hélio Filho às 11:58:20
03/04/2012 - 15:49:19
É Páscoa!
Eu adoro datas comemorativas. Adoro feriados cristãos por ser cristão, mas também por ser trabalhador e gostar de um dia livre, claro. Independente do que cada um faz em cada feriado, com cada religião e tipo de família, eu acho esses feriados mais morais, digamos assim, e menos históricos bacanas porque mexem com o imaginário.
Quem nunca acordou no domingo de Páscoa doido para achar seu ovo de chocolate trazido por um coelho (eu disse que mexia com o imaginário) em sua cesta, com seus olhos vermelhos e rabinho de algodão não sabe o que é ser criança. Lá em casa minha mãe escondia tão bem que parecia uma sessão de tortura, os quatro filhos correndo pela casa, revirando tudo, gritando e brigando um com o outro para achar primeiro.
Nessa época nem pensava no quanto fazia mal comer um ovo enorme inteiro feito de chocolate, valia era detonar as cascas, os bombons, fazer alguma coisa criativa com o papel colorido e brilhante (bem bicha isso, hein). E tem ainda a Sexta-Feira Santa, dia de comer bacalhau com batata e muito azeite, sem esquecer das azeitonas pretas.
Neste ano eu tenho fogão e já sei mais ou menos cozinhar, vou tentar arriscar uma receita de bacalhau pra animar a Páscoa. E vou chamar quem estiver por São Paulo paa ir experimentar minha receita, porque Páscoa é alegria, é multiplicação, é clima gostoso que a gente só se lembra que existe muitas vezes nesses dias especiais. Cadê o azeite?
Escrito por Hélio Filho às 15:49:19
02/04/2012 - 17:34:08
Vanadiol!
hahahahahahahhahahahaha
Vanadiol!!!
Escrito por Hélio Filho às 17:34:08
21/03/2012 - 15:25:52
Billy (a)Ventura
Este é o Billly Ventura e ele jura que "as mina pira" na dele. Então tá.
Escrito por Hélio Filho às 15:25:52
19/03/2012 - 16:38:38
Crô, o de maior sucesso
Crô é real e faz sucesso, chupa essa manga
Já assumi (claro, faz tempo) há muito aqui que adoro novelas, não perco uma sequer e as que não consigo ver pelo horário de trabalho eu dou um jeito de ficar por dentro do que está rolando na trama. Há tantos anos vendo novela posso afirmar que o afetado Crô, de Marcelo Serrado, é o personagem gay de maior sucesso da televisão brasileira. Você já reparou que ele é o personagem masculino mais famoso da novela de Aguinaldo Silva?
Não tem pra ninguém, não sobra espaço para galã metido a mocinho bondoso tentando conquistar a mocinha, bela e honesta, sempre. Crô rouba a atenção do espectador e faz muito mais sucesso do que qualquer personagem heterossexual da novela. Uma prova disso é a quantidade de cenas protagonizadas por ele, seja ao lado de Christiane Torloni, de Alexandre Nero ou de Dira Paes.
Crô dominou a novela de uma maneira que transita em pelo menos três dos mais importantes núcleos da história: ele é presença na comunidade do Recanto, na pirâmide de Tereza Cristina e nas histórias da praia e do quiosque do Álvaro (Wolf Maya). Depois de um começo onde era motivo de chacota, ele deu a volta por cima e hoje em dia não há ninguém que tombe Crô na novela, nenhum dos homens tem o espaço dele, nem os gostosões sem camisa usados para alavancar a audiência.
Crô é o personagem do momento, com certeza, foi motivo de matéria do “Fantástico” de ontem porque ajudou na recuperação de uma mulher passando por tratamento de saúde. Minha mãe é simplesmente apaixonada pelo personagem de Marcelo Serrado, e olha que ela não é a mais tolerante do mundo com gays mais afeminados. É realmente grande a abrangência da simpatia conquistada por Crô.
É para mim inimaginável que existam ainda pessoas que digam que Crô não é real, que não existe gay assim como ele. Eu conheço bichas muitas mais afeminadas e frescas do que ele, e conheço também outras que também são assim, mas com a diferença de que não se vêem afeminadas, se enxergam super másculas, exemplos de uma boa quantidade de testosterona. São exatamente elas que dizem que Crô não existe – porque no mundo delas não existe afetação, pelo menos é o que elas enxergam.
Crô sou eu, é você e todo gay deste Brasil. Crô é tão real quanto a mulher batalhadora e honesta de Dagmar (Cris Vianna), o lutador focado e compromissado de Wallace Mu (Dudu Azevedo) e a boa onda do casal hippie Álvaro e Zambeze (Totia Meirelles). Quem diz que Crô não existe e fala mal do personagem são as mesmas pessoas que se dizem gays assumidas, mas acham o cúmulo ser publicamente fã da Britney. Crô existe para quem enxerga as pessoas e principalmente se enxerga direito. É só olhar no espelho.
Escrito por Hélio Filho às 16:38:38
16/03/2012 - 15:25:19
Um diploma, várias capivaras
Pra ninguém achar que eu estou mentindo
Eu sou um paranaense que morou em Mato Grosso do Sul por muito tempo, por isso me sinto privilegiado de poder ter entrado em contato com a natureza do Pantanal. Quando eu falo contato é de primeiro grau mesmo, de nadar em lagoa com piranha e jacaré (eles não atacam as pessoas assim de graça como nos filmes, isso é lenda) e muitos outros bichos como as capivaras.
Estas sempre foram as minhas preferidas porque são muito fofas, lindas, cuti cuti do titio. E andavam, e ainda andam, aos bandos pelo campus da UFMS, onde eu me formei em Jornalismo em Campo Grande. Então foram quatro anos vendo diariamente as capivaras e seus filhotinhos andando por entre as salas de aula, entrando em algumas, fazendo cocô em outras. E isso lá é absolutamente normal. Não reclame das fezes delas em seu sapato, é uma afronta à soberania delas e ninguém vai concordar, todo mundo já acostumou.
Quem fez e faz UFMS, pelo menos a maioria das pessoas, acaba criando um carinho todo especial por elas porque muitas vezes você as vê muito mais do que certos professores (universidade federal é assim mesmo). Você vai dar uma voltinha descompromissada pelo mal afamado Lago do Amor e encontra várias delas, sempre impávidas, nem ligando para a presença humana. Afinal, o lugar é delas, a casa é delas.
A reserva natural da UFMS parece ter ficado pequena, então elas decidiram dar umas voltinhas entre os acadêmicos, com ar esnobe, nem olhando pro lado, sempre em bando – às vezes com seus filhotinhos, sempre em fila indiana e por ordem de tamanho (natureza sábia). As com filhinhos mereciam mais atenção, e respeito, porque eram as únicas mais agressivas – justamente pelo instinto de preservação das mães. Minha amiga Camila Abelha vivia descendo do ônibus correndo delas.
De resto elas eram só alegria. Várias vezes nós alunos sentíamos um cheiro forte de animal dentro da sala e, antes de culpar algum colega por falta de higiene, era só olhar para a porta aberta e ver que elas estavam passando por ali. Muitas vezes elas paravam bem em frente à porta da sala de aula e ficavam olhando os professores, a gente ali prestando atenção. Na verdade eu acho que elas prestavam mais atenção do que a gente.
Então era engraçado estar estudando Durkheim, Hobbes, Wundt, Adorno e Habermas e olhar para a porta com as capivaras lá, sempre fofas. Ninguém achava ruim, nem pelo cheiro. Todo mundo adorava nossas ilustres visitantes e protegia. Lembro um dia que minha esquentada amiga Maria Elisa soltou vários gritos quando um carro atropelou (de leve, ainda bem) uma delas na rua. É inaceitável na UFMS você não parar seu carro para as capivaras passarem. Lembre-se que o território é delas.
Estou escrevendo sobre isso porque a modernidade do Facebook fez chegar até mim hoje uma foto tirada no Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS) da UFMS, onde eu fiz Jornalismo. A imagem mostra um grupo com sua característica despreocupação andando pelos corredores, vendo as salas, dando um alô pra galera – no sentido figurado, claro, né? A foto rodou o Facebook arrancando boas lembranças de todo mundo.
Poucos jornalistas foram formados tão próximos do contato com a natureza, tão conscientes do respeito pelos animais – racionais e irracionais – como nós na UFMS. Repito, me sinto privilegiado.
Escrito por Hélio Filho às 15:25:19
14/03/2012 - 13:57:23
Omnia Vincit Amor
Eu acredito no amor, no romantismo, no par perfeito e no namoro pro resto da vida. Acredito sim, por mais ultrapassado que possa parecer para lguns, por mais impossível que se mostre para outros e por mais cafona que seja classificado por muita gente. Coraçõezinhos unidos, flores pelo caminho, borboletas no estômago e a felicidade plena de amar e ser amado.
Aqui em São Paulo, tão dura e cinza, fica difícil, mas não impossível, se pensar no amor. Foi o que fez um grupo de umas 20 pessoas da iniciativa Aui Bate um Coração. Eles espalharam em locais como Sé, Anhangabaú, República, Arouche, Ibirapuera e Trianon um monte de coraçõezinhos de isopor, colocados estrategicamente em monumentos históricos.
A cidade ganhou ao amanhecer mais cor, mais vida e mais amor. Ame e deixe-se amar. E que muitas mais iniciativas como esta sejam feitas. Omnia Vincit Amor!
Escrito por Hélio Filho às 13:57:23
13/03/2012 - 18:47:37
Madonna, Gaga e Cícero
Tudo bem que discutir é sinal de que vivemos em uma sociedade iluminada pela Razão, mas tem algumas discussões que realmente são muito dispensáveis – além de nada relevantes. Tipo ficar falando quem é melhor, se Madonna ou Lady Gaga. Se Madonna fez isso ou aquilo e a outra copiou e não sei o que mais e por aí vai assim desse jeito sem parar nem para pensar direito nem para respirar.
Vamos combinar uma coisa. Preferência por músicas não se discute (sua formação sim, né Bordieu?), depois que seu gosto está formado ele é só seu, então ouça o que bem entender, mitifique quem bem quiser e duble quantas músicas forem necessárias. Madonna já fez um monte de coisa super bacana e já provou que é fodona, super isso e aquilo. Lady Gaga também é bacana e esforçada, está tentando fazer o melhor possível para ser uma Madonna.
Em uma entrevista que eu assisti dela para o Gaultier ela dizia que ficaria feliz se fosse metade do que Madonna foi. Enquanto um monte de gay fica travando batalhas e discussões para falar que uma já está ultrapassada e a outra só copia todo mundo, as duas estão belíssimas contando seus muitos milhões de dólares ganhos às custas, inclusive, de briguinhas como esta.
Viva e deixe viver, se um canal de televisão colocou a fulaninha em primeiro lugar das mais influentes cantoras pop tudo certo, é a lista do canal de televisão, não a sua. Não precisa perder noites de sono, comer a ponta dos dedos no teclado fazendo posts enormes cheios de argumentos o mais possivelmente fortes para se sair campeão – como se fosse uma batalha do tipo: eu falei por último, eu arrasei.
Tudo bem que se discuta a cultura pop e suas cantoras, as tais divas gays, o que não dá é dedicar um tempo grande demais a isso e se esquecer de questões cruciais para o desenvolvimento de uma pessoa como o respeito pelo contraditório, pela antítese. Por uma sociedade mais dialética é preciso que as pessoas se respeitem antes, para, assim, respeitar o outro, a opinião do outro.
Se é Lady Gaga ou Madonna não dá para saber porque isso é uma questão pessoal, mas é preciso sempre elegância, educação, respeito e decoro, o que, para o pai do Direito, Cícero, é algo decisivo em um julgamento quando as duas partes parecem igualmente certas. Menos, né?
Escrito por Hélio Filho às 18:47:37
ARQUIVO
- Novembro (1)
- Dezembro (9)
- Janeiro (8)
- Fevereiro (6)
- Março (11)
- Abril (9)
- Maio (9)
- Junho (16)
- Julho (13)
- Agosto (11)
- Setembro (9)
- Outubro (11)
- Novembro (11)
- Dezembro (10)
- Janeiro (14)
- Fevereiro (7)
- Março (11)
- Abril (11)
- Maio (11)
- Junho (12)
- Julho (9)
- Agosto (14)
- Setembro (12)
- Outubro (10)
- Novembro (10)
- Dezembro (6)
- Janeiro (12)
- Fevereiro (7)
- Março (7)
- Abril (12)
- Maio (3)



